terça-feira, julho 02, 2013

O Foro de São Paulo sem máscaras

Depois de esconder por dezesseis anos a existência da mais poderosa entidade política latino-americana, a mídia chique deste país, vencida pela irrefreável divulgação dos fatos na internet, trata agora de disfarçar, como pode, o mais torpe e criminoso vexame jornalístico de todos os tempos. O expediente que usa para isso é ainda mais depravado: caluniar, difamar, sujar a reputação daqueles poucos que honraram os deveres do jornalismo enquanto ela não se ocupava senão de prostituir-se, vendendo silêncio em troca de verbas estatais de propaganda. Envergonhada de si mesma, ela não tem nem a dignidade de citar nominalmente essas honrosas exceções. Designa-as impessoalmente, fingindo superioridade, mediante pejorativos genéricos. O mais comum é “radicais de direita”. Encontro-o de novo no artigo “Os limites de uma onda esquerdista”, assinado por César Felício no jornal Valor no último dia 12. O autor é uma nulidade absoluta, e eu jamais comentaria uma só linha da sua fabricação se as nulidades não se tivessem tornado, num jornalismo de ocultação, os profissionais mais necessários e bem cotados. Por favor, não me acusem de caçar mosquitos. Compreendam o meu drama: nas presentes circunstâncias, a recusa de falar de nulidades me deixaria totalmente desprovido de material nacional para esta coluna. A primeira coisa que tenho a dizer a esse moleque é bem simples: Radical de direita é a vó. Antigamente chamava-se por esse qualificativo o sujeito que advogasse a matança sistemática de comunistas como os comunistas advogam e praticam a matança sistemática de populações inteiras. Hoje em dia, para ser carimbado como tal, basta você ser contra o aborto ou o casamento gay. Basta você achar que o Foro de São Paulo existe e é perigoso. Basta você fazer as contas e notar que centenas de prisioneiros morreram de tortura na Guantanamo cubana e nenhum na americana. Basta você apelar à matemática elementar e concluir que a guerra do Iraque matou muito menos gente do que o regime de Saddam Hussein sob os olhos complacentes da ONU. Se você incorre em qualquer desses pecados mortais, lá vem o rótulo infamante grudar-se na sua pessoa indelevelmente, como marca de escravo fujão ou ferrete de gado. E não vem por via de nenhum jornaleco de partido, de nenhum panfleto petista. Vem pela Folha de São Paulo, pelo Globo, pelo Estadão, pelo jornal Valor – os órgãos da burguesia reacionária, segundo o site oficial do PT. Que é que posso concluir disso, objetivamente, senão que a esquerda radical conseguiu impor à grande mídia a sua escala de mensuração ideológica e o correspondente vocabulário, agora aceitos como opinião centrista, equilibrada, mainstream, enquanto as opiniões que eram da própria grande mídia ontem ou anteontem já não podem ser exibidas ante o público porque se tornaram politicamente incorretas? Será extremismo de direita concluir que o eixo, o centro, se deslocou vertiginosamente para a esquerda, criminalizando tudo o que esteja à direita dele próprio? Será extremismo de direita concluir que a única direita admitida como decente na mídia chique é o tucanismo – abortista, gayzista, quotista racial, desarmamentista, politicamente corretíssimo, padrinho do MST e filiado à internacional socialista, além de bettista e boffista, quando não abertamente anticristão? Será extremismo direitista notar que o traço mais saliente dessa direita bem comportadinha é a abstinência radical de qualquer veleidade anticomunista? Será extremismo de direita entender que esse fenômeno é a manifestação literal e exata da hegemonia tal como definida por Antonio Gramsci? Será extremismo de direita concluir que o establishment midiático deste país é, no seu conjunto, um órgão da esquerda militante mesmo nos seus momentos de superficial irritação antipetista, quando jamais proferiu contra o partido dominante uma só crítica que não viesse de dentro da esquerda mesma e que não fosse previamente expurgada de qualquer vestígio de conteúdo ideológico direitista? Qualquer pessoa intelectualmente honesta sabe que um juízo de fato não pode ser derrubado mediante rotulação infamante. Tem de ser impugnado pelo desmentido dos fatos. Se quiser rotulá-lo, faça-o depois de provar que é falso. Não antes. Não em substituição ao desmentido. Ora, o tal Felício, em vez de desmentido, fornece uma brutal confirmação. Vejam só: “O grupo que se reúne a partir de hoje em San Salvador... atende pelo nome de ‘Foro de São Paulo’ e nasceu sob o patrocínio do PT, em 1990. Os encontros anuais não costumam chamar muita atenção, a não ser de certos radicais de direita no Brasil.” Ora, como é possível que encontros esquerdistas anuais repetidos ao longo de uma década e meia, com centenas de participantes, entre os quais vários chefes de Estado, não chamem atenção exceto de radicais de direita? Ninguém na esquerda prestou atenção ao Foro de São Paulo? O sr. Lula fez um discurso presidencial inteiro a respeito sem prestar a mínima atenção à entidade da qual falava? Antes disso, quando presidia pessoalmente as sessões da entidade até 2002, não lhes prestou nenhuma atenção? Entrava em transe hipnótico e balbuciava mensagens do além, sem se lembrar de nada ao despertar? Os jornalistas de esquerda que, às dezenas, compareceram aos debates, foram lá por pura desatenção, dormiram durante as assembléias e voltaram para casa sem coisa nenhuma para contar? O sr. Bernardo Kucinsky, um dos fundadores da entidade, que emocionado assistiu ao nascimento dela num encontro entre Fidel Castro e Lula, não prestou a mínima atenção àquele momento supremo da sua vida de militante esquerdista? Pago com dinheiro público para relatar aos eleitores os atos presidenciais, calou-se por mera distração, e também por mera distração guardou os fatos para contá-los depois no seu livro de memórias, onde só os colocou porque não tinham a mínima importância? Ora, menino bobo, você não sabe a diferença entre a desatenção e a atenção extrema acompanhada de um propósito deliberado de ocultar? Que você seja desprovido do senso da verdade, vá lá. Sem isso não se sobe no jornalismo brasileiro. Mas será que você precisa também desprover-se do senso do ridículo ao ponto de tentar minimizar a importância do Foro e logo em seguida, citando documento oficial da entidade, alardear que “ na primeira reunião do grupo, em 1990, os integrantes estavam no governo em um único país: Cuba. Hoje desfrutam o poder na Venezuela, Brasil, Bolívia, Nicarágua, Argentina, Chile, Uruguai e Equador”? Você acha mesmo que a organização que planejou e dirigiu a mais espetacular e avassaladora expansão esquerdista já observada no continente é um nada, um nadinha, no qual só radicais de direita ou teóricos da conspiração poderiam enxergar alguma coisa? Na verdade, o próprio Felício enxerga ali alguma coisa. Ele cita o documento oficial: “Passamos a controlar uma cota de poder, mas as outras cotas continuam sob controle das classes dominantes. Os chamados mercados, as grandes empresas de comunicação, os setores da alta burocracia do Estado, os comandos centrais das Forças Armadas, os poderes Legislativo e Judiciário, além da influência dos governos estrangeiros, competem com o poder que possuímos.” Ou seja: a entidade que já domina os governos de nove países não admite, não suporta, não tolera que parcela alguma de poder, por mais mínima que seja, esteja fora de suas mãos. Nem mesmo as empresas de comunicação e o judiciário, sem cuja liberdade a democracia não sobrevive um só minuto. Com a maior naturalidade, como se fosse uma herança divina inerente à sua essência, o Foro de São Paulo, com a aprovação risonha do nosso partido governante, reivindica o poder ditatorial sobre todo o continente. Felício lê esse documento assim: “Os limites a um poder absoluto parecem incomodar os participantes do encontro.” Parecem, apenas parecem. Quem ficaria alarmado com aparências, senão radicais de direita? Afinal, eles vivem enxergando comunistas embaixo da cama, não é mesmo? Para tranqüilizar a população, Felício trata de lhe mostrar que no Foro não há socialismo nenhum, apenas o bom e velho populismo nacionalista, tão difamado pelos agentes do imperialismo. “Um mesmo discurso estava presente na oposição a Perón e a Getúlio nos anos 40 e 50. Reapareceu, quase igual, no tipo de ataque recebido ano passado por Lopez Obrador no México e Evo Morales na Bolívia.” A circunstância de que, ludibriados por milhares de Felícios, até membros da oposição temam dar nome aos bois, preferindo falar de “populismo” em vez de comunismo, é usada como prova de que o Foro não é uma organização comunista. O fato é que as idéias e as pessoas dos velhos populistas jamais aparecem citadas nos documentos do Foro como exemplos a ser imitados. Ao contrário, os apelos à tradição revolucionária comunista ressurgem a cada linha, com todos os seus heróis e símbolos, com todos os cacoetes lingüísticos medonhos do jargão marxista-leninista mais típico e obstinado, acompanhados da declaração explícita, infindavelmente repetida, de que a meta é o socialismo. Mas, decerto, todos os participantes do Foro, todos aqueles tarimbados militantes revolucionários treinados em Cuba, na China e na antiga URSS, estão equivocados quanto à sua própria ideologia e metas. Eles apenas pensam que são comunistas, socialistas, marxistas. Felício é quem, penetrando com seus olhos de raios-x no fundo das almas deles, sabe que não são nada disso. São getulistas que se ignoram. A prova? Ele não se recusa a fornecê-la. É esta: “Antes de ser uma verdadeira marcha ao socialismo, a ofensiva de Chávez... sugere a coroação de um processo de concentração de poder ”. Entenderam a lógica profunda? Se é concentração de poder, não é socialismo. Pena que ninguém avisou disso Marx, Lênin, Stalin, Mao, Fidel e Che Guevara. Todos eles sempre entenderam, ao contrário, que a concentração de poder é a única via para o socialismo, é a essência mesma do processo revolucionário. Mas talvez estivessem enganados, tanto quanto a turminha do Foro. Quem entende do negócio é César Felício. No tempo em que havia jornalismo no Brasil, um sujeito como esse não seria designado para cobrir nem partida de futebol de botão. Hoje ele é uma espécie de modelo, reproduzido às centenas em todas as redações. O resultado é óbvio. Faça um teste. Segundo pesquisa da Folha de São Paulo, a opinião majoritária dos brasileiros é acentuadamente conservadora. É contra o casamento gay, contra o aborto, contra as quotas raciais, contra o desarmamento civil. É contra tudo o que os Felícios amam. É até a favor da pena de morte para crimes hediondos. E confia infinitamente mais nas forças armadas do que na classe jornalística que as difama sem cessar. Quantos jornalistas, nas redações das empresas jornalísticas de grande porte, se alinham com essa opinião majoritária? Não fiz nenhuma enquete, mas, por experiência pessoal, afirmo: poucos ou nenhum. A leitura diária dos jornais confirma isso da maneira mais patente. A opinião pública brasileira não é refletida nem representada pela grande mídia. Não tem direito a voz, a não ser por exceção raríssima concedida a algum colaborador ocasional só para depois ser exibida como exemplo de aberração extremista, felizmente compensada pela pletora de articulistas serenos, normais e equilibrados que igualam George W. Bush a Hitler e Abu-Ghraib a Auschwitz. A idéia mesma de que uma mídia só pode ser equilibrada quando reflete proporcionalmente a divisão das correntes de opinião no país já desapareceu por completo da memória nacional. O simples ato de enunciá-la tornou-se prova de direitismo radical. Resultado: a elite microscópica de tagarelas esquerdistas que domina as redações (não mais de duas mil pessoas) se permite tomar a sua própria opinião como medida da normalidade humana, condenando como patológicas e virtualmente criminosas as preferências gerais da nação. Quem se coloca em tais alturas está automaticamente liberado de prestar quaisquer satisfações à realidade. Não quer conhecê-la, quer transformá-la. Para transformá-la, não é preciso mostrar os fatos às pessoas: é preciso alimentá-las de crenças imbecis que as induzam a se comportar da maneira mais adequada para favorecer a transformação. Da classe empresarial que lê o jornal Valor, que é que se espera? Que permaneça idiotizada e passiva, embriagada de falsa segurança, incapaz de mobilizar-se em tempo para se opor à onda revolucionária que vai submergindo o continente. Foi para isso que os Felícios lhe negaram por dezesseis anos o conhecimento do Foro de São Paulo. É para isso que, hoje, não podendo mais levar adiante a operação-sumiço, apelam à operação-anestesia, chamando-a, cinicamente, de jornalismo. E são pagos para fazer isso pelos próprios empresários de mídia, aqueles mesmos cujas empresas o Foro de São Paulo promete calar ou expropriar junto com todos os demais instrumentos de exercício da liberdade, num futuro mais breve do que todos imaginam.

segunda-feira, julho 01, 2013

ON SICK (non-porn) MOVIES (by jgcorrea) Most of us are card-carrying fans of cinema as a vehicle for sickly expression, provided that the latter is expressed and shaped in creative ways. We love movies as disturbing as The Exorcist, Blue Velvet, Threads, The Devils etc. However, any filmmaker exaggerates when he opts for revealing his sociopath side, or when he wants to mess with the viewer in an evil or satanic way. Making a point is not a sufficient excuse. Film as arty-shock? OK. Film as a symbolically inedible artichoke, as applied to spurious or at least questionable social engineering purposes? Definitely No! "When you look into an abyss, the abyss also looks into you." (Nietzsche wrote) Inner anxiety is what it's all about, I think. Morals, history, science, love, pleasure, any kind of pursuit is the means to a relief of anxiety, but it is at best a means to the relief of a specific anxiety. Now, cinema is definitely more specific than the lot. The Nietzschean abyss is a comfortless world without limits, where "abyss" and "self" are the same thing. For Nietzsche the world is not an illusion, though. Unlike motion pictures, it is most real. Diverting one's sight onto the 'abyss' determines a deeper penetration onto you. Avoiding sick filmmaking determines a finer field of education onto a more civilised society, and more incisive manners.

terça-feira, maio 14, 2013

Nos EUA, um juiz federal deu ganho de causa à proibição de discursos cristãos quando houver reação violenta por parte de muçulmanos desgostosos. A decisão do juiz Patrick J. Duggan rejeitou sumariamente uma ação movida por um grupo de cristãos que havia sido atormentado, intimidado e alvejado com lixo jogado por muçulmanos que celebravam a Festa Árabe em Dearborn, Michigan.

sexta-feira, maio 10, 2013

5 outros ingredientes que você come quase todos os dias: 1. Jell-o Conhece algum vegetariano que não coma Jell-o? É, pois contém colágeno feito a partir de tecido conjuntivo contendo ossos de animais. 2. Ossos Farinha de osso calcinado é feita a partir de ossos de animais carbonizados e usada em açúcar branco refinado para filtrar impurezas e lixiviar. 3. tripas de castor Secreções das glândulas anais e urina de castores, para sermos mais exatos. O nome é castoreum e você pode verificá-lo em ingredientes de certas marcas de sorvete de baunilha e determinados alimentos com sabor de framboesa. 4. besouros Procure na lista de ingredientes, em alguns de seus alimentos de cor vermelha favoritos. Se encontrar carmesim na lista, é porque tem comido concha de besouro vermelho, usada ​​como um corante vermelho natural. 5. titânio Sim, o metal mina desde o solo. É processado para formar o dióxido de titânio e usado para tornar a comida branca ainda mais branca. É provável que você o encontre em cremes não lácteos, gelo e molhos brancos para salada. Sendo que, às vezes, ainda contém chumbo.
5 outros ingredientes que você provavelmente come todos os dias: 1. estômago de bezerro Se você gosta de queijo, também gosta de estômago de bezerros, que, quando processados, são chamados de coalho e usados ​​para ajudar a transformar o leite em queijo. areia Chamam-na de dióxido de silício para que a gente não sinta nojo. Mas é areia mesmo. E você pode encontrá-la em produtos de fast food. P.ex. Wendy's Chili. Penas de pato e cabelo humano São fervidas num aminoácido e usadas em baguetes. Secreções oleosas de ovelha Vêm na sua goma de mascar. Nos ingredientes, são listadas como lanolina. Tornam o chiclete mais suave e mais fácil de mastigar. Mmm ... bexigas de peixes Que tal um chopinho gelado num dia de verão? Bem, saiba que a cerveja contém algo chamado "cola de peixe", que nada mais é, realmente, que bexiga de peixe. Dá à cerveja sua cor amarelo-dourado.
5 other ingredients that you probably eat every day: Calf Stomach If you like cheese, you also like claf stomachs. When they are processed they're called rennet and they're used to help turn milk into cheese. Sand They call it silicon dioxide to keep you from getting grossed out. But it's sand. And you can find it in fast food products like Wendy's chili. Duck Feathers and Human Hair They're cooked down into an amino acid and used in a lot of big-label bagged bread. Sheep's Oily Secretions And it's in your chewing gum. In the ingredients its listed as lanolin. It makes it softer and easier to chew. Mmm... Fish Bladders How much do you love a tall, cold glass of beer on a hot day? Well you should know that some beer contains something called "isinglass" which is really just fish bladders. They give some beer its golden yellow color.
5 ingredientes repugnantes que você come quase todos os dias: 1. limo cor de rosa Esta coisa vem a ser um bocado de carne processada para fast-food, como p.ex. nuggets de frango e hambúrgueres. 2. Alcatrão de carvão Este produto está listado entre as "mercadorias perigosas" identificadas pela ONU. É também identificado como "Allura Red AC" e usado para tingir certos doces, refrigerantes e outros produtos alimentícios vermelhos. 3. bórax Eu usei muito bórax em meu laboratório fotográfico. Você provavelmente já viu bórax listado em alguns de seus produtos de limpeza doméstica favoritos. Pois ele é também é usado em caviar, como conservante. 4. ácido fosfórico Se você é fã de filmes de gangsters violentos, sabe que o ácido fosfórico está entre as substâncias que eles põem em cubas para dissolver corpos. Os fabricantes usam-no também em refrigerantes. É o que dá a sua bebida favorita a sua acidez. 5. serragem Yup! pedaços moídos de madeira! Os fabricantes colocam-nos em queijo ralado, para i mpedir que os pedaços grudem uns nos outros. Nos ingredientes vem listado como celulose.

segunda-feira, maio 06, 2013

Canes Et Circenses

None of the 99-plus readers commentators, if I am not mistaken, endorsed the philosophical and economical view of the great Von Mises. The 'politics of envy' is actually a double-edged sword: tha phrase's corollary is the sum of increasing welfare programs on behalf of a supposed equality, which is impossible to attain in social practice. If social envy is seen, as it often occurs, as a result of exploration, the natural policy to be suggested is of course redistribution of income - i.e. governmental confiscation of income "unjustly acquired" by the filthily rich and its subsequent "recovery" by the petty and the slippery, its 'rightful' owners. A correct identification of the causes for poverty is very much critical, and there's the rub problem. The crux is farther up, folks. Anyway, I really like this Guardian commentator and his article is quite good.

quarta-feira, maio 01, 2013

"Déjenme decirles, a riesgo de parecer ridículo, que el revolucionario verdadero está guiado por grandes sentimientos de amor" (El Ché) "Déjenme decirles, a riesgo de parecer verdadero, que el sentimiento revolucionario está hoy día tocado por un grande amor al ridículo" (O “degas”, que na gíria antiga pra dedéu de meu bisavô, significava, com um tom vivaldino e malandro, “aquele que vos fala”.- ou tecla)

sábado, abril 27, 2013

Micro-conto




GILFs - Grannies I'd Like to Favour









5 facts about Sylvia? here they are




minha versão para #um sonho tornado realidade




for my dear fellow Lusophone film buffs




3 palavras que te f... a cartola




A strictly personal list







sexta-feira, abril 26, 2013

"The Lid": Obama's Planned Parenthood Speech Demonstrates He ...

"The Lid": Obama's Planned Parenthood Speech Demonstrates He ...: Earlier today, President Obama spoke at the national conference of an organization originally formed by a woman who was anti-Abortion but ...

terça-feira, abril 23, 2013

AUGUSTO DE CAMPOS: "Concreto sim, mas não tanto!"

JGCorrea, fotógrafo (amostragem/portfolio)

Acerte ou Erre (Pares de premissas em busca de conclusões)

Lewis Carroll
(tradução de José Lino Grünewald)

Nenhum careca necessita pente;
Nenhum lagarto tem cabelo.
Alfinetes não são ambiciosos;
Agulhas não são alfinetes.
Algumas ostras estão caladas;
Pessoas caladas não são divertidas.
Rãs não escrevem livros;
Algumas pessoas usam tinta para escrever livros.
Certas montanhas são intransponíveis;
Todos os estilos podem ser transponíveis.
Nenhuma lagosta é insensata;
Nenhuma pessoa sensata espera impossibilidades.
Nenhum fóssil pode ser em amor cruzado;
Uma ostra pode ser em amor cruzada.
Um homem prudente evita hienas;
Nenhum banqueiro é imprudente.
Nenhum sovina é altruísta;
Só os sovinas guardam cascas de ovo.
Nenhum militar escreve poesia;
Nenhum general é civil.
Todas as corujas são satisfatórias;
Certas desculpas são insatisfatórias.

http://zeiggor.com/blog/poemas-e-poesias/acerte-ou-erre-pares-de-premissas-em-busca-de-conclusoes/

Mallarmé no Brasil: as primeiras aproximações, antes de Mario Faustino, Decio Pignatari e Jose Lino Grunewald

Para compreender a importância do lugar que Mallarmé ocupa na obra dos

concretistas, cabe lembrar que, na primeira metade do século XX, a poesia de Mallarmé e

suas traduções circularam de modo bastante restrito no Brasil.

Araripe Júnior, em 1888, ao se referir ao “verdadeiro grupo dos simbolistas”, declara

que Stéphane Mallarmé é sua “encarnação perfeita” ( GUIMARÃES, 2010, p. 28). É também

numa revista simbolista, Vera Cruz, que, em 1898, Silva Marques publica o primeiro artigo

mais extenso dedicado ao poeta francês, no qual aponta para a “influência benéfica de seu

ensinamento” (GUIMARÃES, 2010, p. 29). Nesse contexto, surgem as primeiras traduções de

Mallarmé no Brasil. José Paulo Paes, em seu histórico da tradução literária no Brasil, assinala

que: “quanto ao paulista Batista Cepelos, parece ter sido o primeiro a traduzir, no Brasil, a

poesia de Mallarmé”, (PAES, 1990, p. 24). sem precisar que poema seria, nem o contexto de

sua publicação. Guimarães, em seu preciso estudo sobre o poeta francês, debruça-se sobre o

assunto, descobrindo no livro de poemas Vaidades, entre os poemas do próprio Cepelos e

outras traduções, a tradução do poema “O azul”, cuja data não se pode precisar, pois “o livro

foi publicado em 1908, mas traz a indicação de que inclui poemas de 1899-1908”

(GUIMARÃES, 2010, p. 17).

A primeira tradução publicada no Brasil não parecer ser, pois, a de Cepelos e sim a do

poema “Tristesse d’été”, “feita por Escragnolle Dória e publicada com o título ‘Tristeza

Estival’ na revista carioca Rua do Ouvidor, de 11 de maio de 1901”, (GUIMARÃES, 2010, p.

17) cerca de três anos após a morte de Mallarmé.

Uma terceira tradução completa as traduções do “ciclo simbolista” mencionadas por

Guimarães. Trata-se do poema “Apparition”, traduzido por Alphonsus de Guimaraens,

incluído na edição de 1938, do livro póstumo do autor, Pastoral aos crentes do amor e da

morte.

O fato de haver apenas três traduções e poucas referências a Mallarmé no período

indica claramente que “parte do simbolismo brasileiro se desenvolveu independentemente do

conhecimento da obra de Mallarmé” (GUIMARÃES, 2010, p. 15). Outro fato importante que

se depreende é a escolha dos textos: são poemas do jovem Mallarmé, anteriores a seus textos

mais herméticos. O poema “Appariton” data de 1863, sendo um dos mais divulgados,

publicado inclusive no volume Poètes Maudits, de Verlaine. Os outros dois datam de 1864 e

foram publicados na coletânea Le Parnasse Contemporain, em 1866. Enfim, como aponta

Antonio Candido ao se referir a sua época de juventude: “o Mallarmé apreciado era o menos

hermético. Pouca gente enfrentava o ‘Coup de dés’, que, aliás, era de difícil acesso” (MELLO

E SOUZA, 1993, p. 118).

Essa situação prossegue mais ou menos inalterada ao longo das décadas seguintes. A

única inclusão de Mallarmé numa antologia de poesia é, em 1936, na antologia Poetas de

França, de Guilherme de Almeida, na qual se encontra, além de “Brise marine”, o mesmo

poema “Apparition” já traduzido por Alphonsus de Guimarães. 
http://www.partes.com.br/cultura/movimentoconcreto.asp




domingo, setembro 11, 2011

segunda-feira, setembro 05, 2011

quarta-feira, maio 25, 2011

IMDb: Greatest Comics Artists - a list by jgcorrea

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IMDb: 99 from the DataBase - @ just one degree of separation - a list by jgcorrea

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Netanyahu Says Israel Ready to Make Painful Compromises for Peace, but Palestinians Must Too | The Foundry

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quinta-feira, maio 05, 2011

7 Movies Based on a True Story (That Are Complete Bullshit) | Cracked.com

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McSweeney's Internet Tendency: Straight Answers to Some Popular Rhetorical Riddles.

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quarta-feira, abril 27, 2011

Why the White House chose now to deal with birthers - The Washington Post

Why the White House chose now to deal with birthers - The Washington Post: "I am not saying that every 'birther' is a racist, but it would be incredibly difficult to argue that racism was not a big factor in the belief about Obama being foreign-born. And those people, there's nothing you can do to change their minds/hearts."

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quarta-feira, abril 20, 2011

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para a turma mais radical: 10 Most Dangerously Ill-Conceived Theme Park Rides of All Time

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If Classic Movies All Got Video Game Adaptations Article | Cracked.com

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Posters clássicos do cinema

Caixa suspensa - JG Correa - Álbuns da web do Picasa: "https://picasaweb.google.com/monsieurverdoux/DropBox?authkey=Gv1sRgCJGb0YGP69_EOg&feat=directlink"

O homem invisível

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Diogo Mainardi – VEJA.com

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oneword.com

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Quem tem medo do Bolsonaro?

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sexta-feira, abril 08, 2011

sábado, abril 02, 2011

"One can only gape in stunned amazement at the extent of the idiocy being displayed by the leaders of America, Britain and Europe over the ‘Arab Spring’ – which should surely be renamed ‘the Arab Boomerang’."
happy birthday, Emmylou Harris!

quarta-feira, março 23, 2011

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Scale on Vimeo

Here's an animation to make you feel small, and also convey the deep awe we feel at the feet of the Universe

Janer Cristaldo

Kafka não explicaria o Brasil

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Soros fingerprints on Mideast chaos

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“Desarmar o cidadão não diminui os índices de violência” - Jornal Opção

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segunda-feira, junho 28, 2010

sábado, maio 02, 2009

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segunda-feira, fevereiro 26, 2007

Mário Ferreira dos Santos: uma esfinge no labirinto (por Yolanda Lhullier Santos e Nadiejda Santos Nunes Galvão)

"Todo homem deve viver e morrer como um guerreiro"
Uma pessoa que age sob o signo desta máxima nos aproxima da idéia de quem era Mário Ferreira do Santos, de sua intensa produção intelectual e filosófica e de sua interferência positiva na cultura e, particularmente, no mercado editorial brasileiro. Jamais seus valores se fecharam diante de um país que permanece ainda preconceituoso frente à audácia dos seus próprios pensadores maiores. Era para ele uma questão de princípio romper com essas amarras dogmáticas. Tipo "enciclopedista", era um raro viajante esclarecido e, como tal, causava assombro, estranheza e mal-estar. Lutador incansável na afirmação do pensamento brasileiro no grande caleidoscópio universal, expressava-se pela caracterização de uma busca incessante de uma nova linguagem filosófica diante de um pensamento europeu consolidado no seu esgotamento. Ousou pensar os antagonismos do seu tempo com uma dignidade divergente e típica daqueles que não escamoteiam seus próprios problemas contraditórios e oponentes, exemplarmente munido de uma coragem espiritual de quem não teme os absurdos. Prolífero, profundo, marcante, heterogêneo e polêmico são adjetivos inscritos no interior da produção de sua extensa obra.
Dono de uma intensidade impar, jamais procurou ficar imune diante do que se apresentava. Herdeiro de uma formação escolástica sólida, procurou construir seu método na afirmação do ciclo concreto "que pertence a todos os grandes ciclos naturais da humanidade", desde os gregos até os nossos dias. Formou-se em Direito e Ciências Sociais pela Faculdade de Direito de Porto Alegre. Como livre-pensador foi preso em 1930, aos 23 anos, em defesa de suas atitudes conscientes e de seus ideais libertários, aos quais se manteve fiel até o fim da vida. Foi advogado, diretor de jornal, tradutor, professor, escritor multiprismático.
Dentre as várias traduções feitas para a Livraria do Globo, Porto Alegre, destaca-se a obra de Friedrich Nietzsche, "Vontade de Potência" com o ensaio "O homem que foi um campo de batalha". Posteriormente em São Paulo traduziu "Assim Falava Zaratustra" com análise simbólica. Tradutor criterioso, procurava manter-se fiel ao ritmo, ao estilo e às modalidades da expressão nietzscheana, tendo a subtileza da intuição genial de ter-se "colocado sempre na posição de sentir como Nietzsche escreveria se fizesse "Zaratustra" em português". Cria, com isso, uma original interpretação simbólica do pensamento do filósofo de Sils-Maria.
Compulsivo na criação de suas obras, Mário escreveu artigos políticos e de cultura para os jornais Opinião Pública, de Pelotas, e Diário de Notícias e Correio do Povo, de Porto Alegre. Foram quase duas centenas de artigos versando, principalmente, sobre aspectos da II Guerra Mundial. Por essa época, colabora com as revistas Climax e Movimento, escrevendo ensaios, discussões sobre arte, estética e poesias. Mas é ainda pouco para o seu espírito irrequieto, que não pára de buscar um conhecimento mais consistente. Talvez por isso, necessitando de um espaço onde houvesse a condição de uma troca mais radical, mudou-se para São Paulo, na esperança de encontrar ecos mais significativos às inquietações do seu trabalho filosófico. Em São Paulo trabalhou em várias editoras: Flama, Sagitário, Livraria Ritz e outras. Fundou a Livraria e Editora Logos e a Editora Matese. Como empresário foi pioneiro na implantação de venda no crediário no sistema porta a porta
Intelectual por demais contemporâneo, em 1949, dedicou-se a ministrar aulas. Redigia de forma cuidadosa, acessível e sem rebaixar o conteúdo dos cursos por correspondência (novidade no Brasil, pois os únicos que existiam vinham importados dos Estados Unidos ou da Europa). Dizia que os cursos de Cultura e Filosofia Geral importados "não iam evidentemente, de encontro às necessidades do povo brasileiro". Iniciou os cursos com Oratória, seguindo-se Filosofia, Estética, História da Cultura e História da Arte. A sua residência, à noite, após as aulas, era inundada por grupos de estudantes em fervilhante atividade, na busca de discussões livres e penetrantes, em torno de temas políticos, econômicos e sociais da atualidade.
Homem de filosofia, não poderia deixar de interrogar-se constantemente. No livro "Se a esfinge falasse", afirma: "É do destino do homem formular perguntas, e de sua necessidade respondê-las. Mas cada resposta é a gênese de uma nova interrogação. Enquanto o homem for homem, perguntará... Perguntar é bem uma dimensão humana". Recuperando, então, essa dimensão humana através da escrita, por sua aparição mais indicada, que é o livro, ousamos perguntar: por que não reeditar Mário Ferreira dos Santos? [1]
Quem foi este filósofo?
"Que filósofo seria eu se não pudesse tratar filosoficamente de cada ciência?
"Estou realizando uma pesquisa científica sobre a situação atual do pensamento filosófico brasileiro, a fim de constatar, com objetividade, em que ponto se encontra a Filosofia hoje no Brasil, como ela se desenvolve, que metas está visando e que objetivos deve atingir. Durante esta pesquisa científica, ainda em curso, descobri um Pensador de extraordinário valor - Dr. Mário Ferreira dos Santos, nascido no dia 3 de janeiro de 1907 e falecido no dia 11 de abril de 1968. A descoberta deste filósofo solitário, dedicado a uma intensa atividade de pensamento e produção literária, surpreendeu-me não pouco e proporcionou-me a grata oportunidade de entrar em freqüentes contatos pessoais com ele, homem que ainda não foi descoberto no Brasil". [2]
A ele se referiu o Dr. Carlos Aurélio Motta de Souza, seu ex-aluno:
"Fue un pensador completo, que há buscado sin rechazar nadie en sus estudios y pesquisas, pero tan sólo ha refutado lo que no fuera positivo, y no llevara al hombre a conocerse en su totalidad.
Por eso, y en esse sentido, fue un gnoseólogo humanizante, de pensamiento total, que nada excluye del hombre ni de este desvalorice.
La extrema fecundidad del trabajo de Mário Ferreira dos Santos nos ha legado una obra filosófica grandiosa que, como tal, permanece a la disposición de los estudiosos.
Restan, todavía, decenas de trabajos inéditos, que merecen ser conocidos, no sólo para memoria del extraordinario pensador, sino para coronamiento de una obra producida en los momentos de su mayor intuición filosófica.
Relegada progresivamente a planos inferiores de la cultura, urge rescatar la filosofía humanizante, centrada en la realidad del ser supremo, esta filósofo há buscado incesantemente la integración humanística, abordando el ecumenismo, buscando la unidad, procurando "un método capaz de reunir los aspectos positivos de diversas posiciones filosóficas", "método includente y no excludente, que concilia positividades", combatiendo al mismo tiempo las filosofias nihilistas, negativistas y pesimistas, que alienan, desesperan y dividen el hombre y el mundo, sin darles la debida concreción, y la certeza del bien supremo.
Bien por eso ha concluido su auto-biografía apuntando hacia la reconciliación de la filosofía com la religión cristiana, como filosofía superior capaz de unir los hombes y hacer que se compreendan, pues para él, Cristo representa todo cuanto hay de más elevado, es el hombre en cuanto voluntad, entendimiento y amor, correspondiente a la concepción de las tres personas de la Santísima Trinidad". [3]
O filósofo Olavo de Carvalho, apesar de não tê-lo conhecido pessoalmente, dedica-se ao estudo de sua obra, trabalhando na organização dos escritos inéditos:
"Cultuado e respeitado, temido e odiado em vida, Mário tornou-se, uma vez morto, objeto de uma conspiração de silêncios destinada a abafar o mais paradoxal dos escândalos: este país sem cultura filosófica deu ao mundo um dos maiores filósofos do século, talvez de muitos séculos.
A obra de Mário não tem similar, nem por sua extensão oceânica, mais de cem volumes publicados e trinta inéditos, nem pela orientação muito peculiar de seu pensamento, onde as influências mais díspares, de Sto. Tomás a Nietzsche, de Pitágoras a Leibniz, de Platão a Proudhon, se harmonizam numa síntese radicalmente original.
Um dos segredos dessa originalidade é justamente a absorção e superação de um imenso legado filosófico. Dono de uma cultura prodigiosamente vasta, Mário se ocupou de buscar, na filosofia universal, as constantes ocultas, os pressupostos latentes que, por trás da variedade e dos antagonismo aparentes entre os sistemas, configurassem o quod semper, quod ubique, quod ab omnia credita est (aquilo que todos, em toda parte, sempre acreditaram). E não somente encontrou um núcleo de princípios que estruturam algo como uma unidade transcendente das filosofias, mas ainda o formulou em expressão sistemática e lhe deu variadas aplicações na solução de alguns dos mais difíceis problemas da metafísica, da teoria do conhecimento, da ética e da filosofia da história.
Para sondar esse sistema de princípios, que ele denominava, usando uma expressão pitagórica, mathesis megiste ( ensinamento supremo ), Mário criou um método
próprio, a dialética concreta, que sintetiza a lógica analítica tradicional com a lógica matemática e com as dialéticas de Aristóteles, Hegel e Nietzsche (um método de espantosa flexibilidade) que lhe permite levar suas demonstrações até requintes de evidência que superam tudo o que a mente mais rigorosa poderia exigir". [4]
Mário Ferreira dos Santos costumava dizer: "Não sou um professor de Filosofia, sou um filósofo. Há um silêncio a minha volta, mas não me importo. Quero que o leitor me julgue e só dele quero receber a crítica boa ou má. Meus livros, 'observou' , foram entregues ao seu próprio destino, sendo os leitores os únicos propagandistas; já que eram eles que os aconselhavam à outros e, desta forma, foram tornando-se conhecidos e procurados". Sua meta: tornar a filosofia compreensível para todos, propiciando o conhecimento sempre no sentido mais elevado. Acreditava na possibilidade do nosso povo, pois comentava que todos aqueles que no Brasil revelaram possuir mente filosófica, tenderam para um pensamento de caráter sintético, de característica universalizante, por isso "...o Brasil é atualmente um dos países que está melhor capacitado para uma nova linguagem filosófica, capaz de unir o pensamento..."
No prefácio de "Filosofia e Cosmovisão" (1953), temos uma explicação clara de seus objetivos. Como ensinar filosofia a leitores que não tem os conhecimentos básicos? Havia necessidade de preencher estas lacunas, por este motivo usou uma linguagem de rigor filosófico, mas pressupondo a falta de escolaridade destes leitores, pois dizia "há em nosso país autodidatas de grande valor e de muita criatividade".
Paulatinamente foi publicando as obras que aprofundavam o conhecimento, constituindo um verdadeiro curso: "Psicologia", "Lógica e Dialética”, “Teoria do Conhecimento”, “Ontologia e Cosmologia”, “Tratado de Simbólica”, Filosofia da Crise”, “O Homem perante o Infinito”, “Noologia Geral”, “Sociologia Fundamental e Ética Fundamental”, “Filosofia Concreta dos Valores”, obras que constituem a "Enciclopédia de Ciências Filosóficas e Sociais" .
Em “Filosofia Concreta” estabelece seu modo de filosofar: “Há duas maneiras de faze-lo: a) deixar o pensamento divagar através de meras opiniões; b) ou fundá-lo em juízos demonstrados a semelhança da matemática. Esta segunda maneira é usada nesta obra, pois nela a filosofia não é abstrata, mas concreta, fundada em demonstrações rigorosas. A Filosofia Concreta não é uma “síncrese” nem uma “síncrise” do pensamento humano, não é
um acumulado de aspectos julgados mais seguros e sistematizados numa totalidade; ela tem sua existência autônoma, pois seus postulados são congruentes e rigorosamente conexionados uns aos outros". Partindo da proposição "alguma coisa há" constrói 327 teses, apoditicamente demonstradas, pois "o valor de nossa filosofia é proporcionado às demonstrações que ela usa e emprega; como construção filosófica, ela valerá na medida que valerem as suas demonstrações".
Como construir um método capaz de reunir as positividades das diversas posições filosóficas?
“O método dialético é inegavelmente o mais completo, é o melhor para estudar, sobretudo na ciência, quando nos dedicamos ao mundo da ação do homem, ao mundo do pragma, porque trabalhamos aí com entidades que excluem e, portanto, não podem ter aquele rigor da lógica clássica. Temos também o que chamo de decadialética, que é uma espécie de esquema em dez providências de tudo aquilo que é conveniente fazer quando se quer estudar um fato que corresponda à filosofia prática. Esta metodologia permite, partindo de uma pequena idéia, construir uma série de idéias; trata-se de uma questão de procurar subordinantes, subordinados e colaterais".
Analisou este método em "A Sabedoria da Dialética Concreta" (manuscrito inédito). E aplicou-o em "Pitágoras e o Tema do Número", onde elucida o pensamento do filósofo grego, visto o pitagorismo ter sido o movimento fecundador de todo conhecimento humano. Inspirado nele criou, quando jovem, um personagem literário, Pitágoras de Melo, protagonista de vários artigos e que retorna duas décadas depois, nos diálogos de "Filosofias da Afirmação e da Negação".
Queria reivindicar Pitágoras para o cristianismo, pois considerava os "Versos Áureos" um livro sagrado, que no futuro deveria ser incorporado," porque não há ali um pensamento que não seja cristão". Por este motivo decidiu fazer uma edição com a tradução integral dos comentários de Hiérocles, aproveitando a contribuição de outros estudiosos e fazendo uma espécie de síntese, acrescentando as suas contribuições (obra inédita).
O “Tratado de Simbólica” justifica a simbólica como disciplina filosófica, pois pode-se considerar todas as coisas no seu aparecer, na forma como se apresentam, como um apontar para algo ao qual elas se referem. Examina as principais teorias e propõe uma técnica de interpretação baseada na dialética simbólica, a qual utilizou para o estudo da hermenêutica de "O Apocalipse de São João".
Em 1967 iniciou a publicação das obras da “Matese da Filosofia Concreta e assim se expressou:
"Atualmente estou terminando o trabalho maior da minha vida, que é a obra de Matese Megiste, que é a tentativa de reconstruir a suprema instrução dos pitagóricos. “A Sabedoria dos Princípios” é o título do primeiro volume, seguindo-se “A Sabedoria da Unidade”, "A Sabedoria do Ser e do Nada", “A Sabedoria das Leis”, "A Sabedoria dos Esquemas", "A Sabedoria das Tensões"( estes três últimos não publicados), e assim sucessivamente, nos quais exponho o pensamento que julgo ser genuinamente pitagórico que antecede a tudo quanto se fez, e dá o fundamento mais profundo do saber, porque se desenvolve através de demonstrações rigorosas e apodíticas, suficientes para permitir a formação de uma nova linguagem, que possa unir os homens dos diversos setores do conhecimento, evitando os estragos que os especialismos estão fazendo atualmente. Desta maneira, homens provindos de todos os setores do conhecimento humano, podem reunir-se num pensamento capaz de ligar, polimateicamente, tudo quanto o homem realizou, e oferecendo os fundamentos que Pitágoras desejou expressar, cujos trabalhos não chegaram até nós senão através de fragmentos e de obras esparsas e incompletas, que estamos lutando para reunir, graças à dialética matética, como chamamos, que é uma dialética concreta, que permite ao partir de um postulado válido de per se, ascender, pela subordinação, e descer também, pelo mesmo caminho, e buscar os colaterais, e, deste modo reunir concretamente um conjunto de idéias e de verdades, que estavam dispersas nos diversos setores”.
Questionado de como atingir esta sabedoria, respondeu::
“Estou trabalhando e tenho a convicção de que consegui, consegui alcançar a esta Matese que vai servir então de ciência arquitetônica, que poderá facilitar a compreensão de todos os setores terem uma linguagem comum, uma meta linguagem, uma sintaxe universal que pode dar a ligação de todas as ciências". Mas é possível o homem atingi-la?. "...que é possível, não há dúvida, e é prometido na Bíblia, foi prometido por todas as grandes religiões. Na Bíblia há centenas de passagens que São Boaventura colecionou, onde há essa promessa, que é o que ele chama de “Ciência Christi”, a própria ciência de Cristo que é dada, prometida ao homem, com a qual o homem poderá alcançar o entendimento. E São Boaventura chega a dizer mais, que essa procura é piedosa e é anticristão não crer nessa possibilidade porque então é como que marcar para todo o sempre a impossibilidade dos homens se entenderem”. E concluiu: "este estudo levará, inevitavelmente a uma visão transcendental da realidade e sem ele não se faz filosofia em profundidade, mas apenas de superfície".
"O homem é um fim e não um meio. Utilizá-lo, transformá-lo em peça de um mecanismo, é ofender a sua dignidade".
Livre pensador, apaixonado pelos ideais libertários, foi um lutador, um quixote esgrimindo para todos os lados, sempre procurando a elevação espiritual pelo saber. "O homem é um viandante (homo viator) que deve buscar a sabedoria, até quando lhe paire a dúvida, de certo modo bem fundada, de que ela não lhe está totalmente ao alcance".
"Meu ideal?... sei que não o verei vitorioso em minha vida. Nem meus filhos o verão. Talvez nem meus netos. Talvez mesmo nunca chegue a vencer. Que importa! Continuarei lutando pelo meu ideal embora saiba que ele jamais será vitorioso. Ele é minha única razão de ser, porque na luta, para torná-lo vitorioso, está toda a minha felicidade!..."
Na defesa de idéias não se furtava ao debate. Apaixonado quando discursava e bastante polêmico na controvérsia, principalmente nos debates sobre questões sociais, não foram pouco os adversários adquiridos.
Conhecedor das várias correntes ideológicas, principalmente do marxismo, assim se referiu a um contestador: “...mesmo sendo marxista, dificilmente ele conhecerá marxismo melhor do que eu...” Dentre os inúmeros fatos pitorescos desta época, um deles ocorreu durante uma palestra, quando o conferencista defendia o marxismo, mas de maneira elementar, Mário levantou-se, pediu um aparte, e começou a expo-lo com argumentos sólidos. O auditório admirou-se, pois era conhecido como defensor das idéias libertárias. Seus amigos chegaram a pensar que tivesse mudado de opinião, mas logo em seguida rebateu, ponto por ponto, todos os itens antes defendidos.
Uma das suas preocupações eram os problemas sociais: "... Senhores, como o Brasil sairá da miséria? Apenas aplicando um sistema de organização social? Se não houver uma modificação psicológica neste povo? Se não despertarmos neste povo um outro sentimento de si mesmo, uma outra maneira de ver a vida, e isto se fabrica da noite para o dia? Isto não está exigindo lutadores?
"Para conseguir esta mudança que se deve fazer no Brasil?” perguntaram-lhe.
“Bem a mudança que se deve fazer no Brasil é em nós, primeiro nós brasileiros temos que mudar radicalmente se quisermos fazer alguma coisa, porque o que temos lá em cima é um reflexo de nossa situação. Se lá em cima vão esses homens, é porque não fomos capazes de evitar que lá chegassem. Precisamos criar elites de espírito brasileiro, preocupadas com problemas brasileiros. Se assim não o fizermos, não criaremos uma outra mentalidade, não criaremos a confiança em nós mesmos, não seremos capazes de elevar este país para o destino que merece. Há muita gente capaz, mas muitas vezes não podem fazer nada porque estão coarctadas pela ação de grupos e de outros elementos que ocupam, às vezes, cargos de mando. Vamos fazer uma nova elite no Brasil, vamos obrigar aos nossos homens que estudem as nossas coisas e dêem valor ao que é nosso”.
Para ele, "Os homens revelam-se pelos atos e não pelas palavras. Prefiro mil vezes o meu idealismo consciente e de perspectiva de pássaro do que o ignorante praticismo caolho de perspectiva de rã!"...
Em "Invasão Vertical dos Bárbaros" denuncia a falsa cultura que avassala o mundo, propondo: "O que temos de fazer hoje é construir. Na realidade, o espírito destrutivo, o demoníaco, vence em quase todos os setores deste período histórico que vivemos e, sobretudo, neste século, que talvez seja cognominado pelos vindouros 'século da técnica e da ignorância'; porque se há nele um aspecto positivo, que é o progresso da técnica, que chega até as raias da destruição, a ignorância aumenta desesperadamente, alcançando limites que a imaginação humana nem de leve poderia prever. Mas o que é mais assombroso é a auto-suficiência do ignorante, o pedantismo da falsa cultura, a erudição sem profundidade, a valorização da memória mecânica, do saber de requintes superficiais, a improvisação das soluções já refutadas, a revivescência de velhos erros rebatidos e apresentados com novas roupagens. Tudo isso é de espantar".
"Estamos em pleno agnosticismo, ceticismo, pessimismo, ficcionismo, pragmatismo, materialismo, niilismo, "desesperismo"; são conseqüências que surgiram do filosofar moderno".
Costumava nas aulas conclamar os alunos para lutarem contra as más idéias que invadiram o campo cultural moderno, contra a filosofia de opiniões que tantos males causaram , contra os "ismos", contra o espírito da "novidade" e tudo que leva ao negativismo e a confusão. "O resultado é que vivemos num mundo de utopias e quimera; como conseqüência, há desilusões, cujo resultado final é desespero",,,. "Portanto, inegavelmente, a reflexão filosófica deve abrir-se para uma visão transcendental da realidade, sob pena de nos perdermos em armadilhas feitas por nós mesmos, afirmando uma deficiência que, na verdade, não temos".
Advertia que "devemos erguer as massas populares até a filosofia, através de um desenvolvimento da cultura nacional, que tenda à filosofia positiva e não à filosofia negativista e niilista que penetra em nossas escolas".
Como mestre e educador revelou uma preocupação especial em relação aos jovens, e foi em tom apologético que encerrou uma de suas aulas: "Eu conclamo a juventude de hoje que não se torne aquela juventude que perseguiu sempre os grandes homens, aquela juventude que perseguiu Sócrates, aquela juventude que perseguiu os pitagóricos, aquela juventude que levou à condenação, à morte a Anaxágoras, mas sim aquela juventude que apoiou Platão, que apoiou Aristóteles no Liceu, que apoiou Pitágoras no seu Instituto, aquela juventude estudiosa, aquela juventude que dedica o melhor de sua vida para formar o seu conhecimento, aquela juventude que quer ser capaz de assumir as rédeas do amanhã, e não a juventude que quer apenas ser uma massa de manobras de políticos demägógicos e mal-intencionados, uma juventude de agitação, mas sim uma juventude construtora, uma juventude realizadora, uma juventude que lance para a história da humanidade os maiores nomes e os maiores vultos..."
"O caminho que leva à Sabedoria é um caminho de humildade e simplicidade. A conversão nos exige que nos apresentemos ante os outros com o pouco que temos e colocá-la à disposição de todos. Não ensinamos, não damos, oferecemos e compartilhamos o que temos, aprendemos e agradecemos o que nos ensinam todos os outros."
Seu pai, apesar de anticlerical, vendo a inclinação do filho para temas filosóficos, decidiu matriculá-lo no Ginásio Gonzaga, pois considerava os jesuítas grandes educadores.
Aos 14 anos sentiu despontar grande ardor religioso, desejando entrar para a Ordem, porém o padre confessor advertiu-o: "Mário, deves ir para o mundo, teus caminhos serão outros, porém mais tarde sei que voltarás a nós". "Que mau padre eu seria!", comentou anos mais tarde.
Teve momentos de dúvidas e descrença " ...passei por uma longa noite obscura de trevas, em que me abismei no ateísmo. Só depois, graças a ter guardado um pouco de amor, que me havia ensinado um de meus mestres, que era uma devoção que sempre tive por Virgem Maria, foi por ali que se abriram novamente os meus olhos." Costumava dizer: "o meu cristianismo é o cristianismo do amor, tão bem sintetizado no poema de São Francisco Xavier: "Deus, eu te amo".
O ateísmo foi tema de estudos, abordado primeiramente em "Teses da existência e inexistência de Deus" e depois em "Ö Homem perante o Infinito". Em resposta a pergunta: "Que pensar sobre o problema do ateísmo contemporâneo?" disse:
"Este tema é de uma vastidão tremenda, já que o ateísmo contemporâneo não surge a rigor de uma especulação filosófica, mas sim, de certas decepções de caráter mais ético do que filosófico. A meu ver, o ateísmo não surge, propriamente, em torno do Deus Uno e de seus atributos, mas, em torno dos atributos do Deus Trino, ou Deus pessoal ou dos atributos morais de Deus. Não conheço nenhum trabalho, de nenhum ateísta, que se limite a atacar, especificamente, o Deus Uno. Conheço agnósticos e cépticos, mas não ateístas que tomem uma posição definitiva, negadora da possibilidade de um Ser Supremo. O ateísmo é sempre o produto de uma má colocação do problema de Deus. Como “na Filosofia não há questões insolúveis, mas apenas mal colocadas”, o ateísmo moderno parece uma questão insolúvel, porque é mal colocada. Todas as ocasiões em que tive a oportunidade de me encontrar com ateístas, bastou-me pedir-lhes que descrevessem o que entendiam por Deus, para, nessa descrição, verificar quais as razões de seu ateísmo. Foi-me fácil afastá-los de sua posição e colocá-los na aceitação de um Ser Supremo, o que é, para nós cristãos, o ponto de partida para uma total recuperação".
Em “Cristianismo, a religião do homem” (manuscrito inédito), demonstra que esta é a única religião que não depende de raça nem de ciclo cultural, pois surge de uma revelação através do próprio homem, pedindo a ele que seja perfeito naquilo que lhe é próprio, quer dizer, na superação humana, que se realiza pela purificação da vontade, pela clareza e pela acuidade do pensamento, e pelo acrisolamento do seu amor.
Nos últimos anos dedicava-se, sobretudo, ao estudo da religião, com a intenção de publicar “Deus”(manuscrito inacabado), que culminaria todo seu pensamento numa síntese global, pois “...consideraria tudo que estou fazendo na minha vida sem valor se não chegasse a uma possibilidade de divulgar a idéia religiosa de uma maneira mais sã e mais completa”. E adiante confessa: “O meu desejo foi sempre ter a minha volta pessoas capazes de um dia ajudar num trabalho de pregação religiosa, mas de pregação séria, independente das seitas, independente das diversas igrejas, nesse verdadeiro sentido do cristianismo. a religião do homem, abrindo as portas, porque nós estamos hoje vivendo uma época de desenvolvimento técnico e de desenvolvimento científico, de desenvolvimento cultural em muitos aspectos, mas completamente esvaziada de espiritualidade e sem esta espiritualidade tudo isso é falho, tudo isso é fraco. Só o cristianismo nos poderá dar uma base que está nos faltando, pois o homem não pode viver sem religião”.
Biografia da “Enciclopedia Filosofica”- Centro di Studi Filosofici di Gallarate. Firenze, G.C. Sansoni Editore, 1969.
SANTOS, Mário Ferreira dos – Filosofo brasiliano, n.a Tietê (San Paulo) da famiglia portoghese il 3 genn.1907, m. ivi l'11 apr. 1968.
Fece gli studi secondari nel collegio Gonzaga di Pelotas (Rio Grande do Sul) e si lecenziò in diritto e scienze sociali nell'Università di Porto Alegre. Dopo breve periodo di avvocatura e insegnamento, si ritirò a vida privata, dedicandosi esclusivamente allo studio della filosofia e scienze connesse. Fondò a San Paolo due case editrici per la divulgzione delle proprie opere (Ed. Logos ed Ed. Matese).
Scrittore e pensatore straordinariamente fecondo, in appena tre lustri publicò una collezione dal titolo “Enciclopédia de Ciências Filosóficas e Sociais” che consta di 45 voll., in parte di carattere teoretico in parte storico-critico. I più importanti sono: Tratado de Simbólica (5 edd.), Filosofia da Crise (4 edd.), Filosofia Concreta, 3 voll. (5 edd.), Filosofia Concreta dos Valores (3 edd.), Sociologia Fundamental e Ética Fundamental (3 edd.), Pitágoras e o Tema do Número (3 edd.), Aristóteles e as Mutações (3 edd.), O Um e o Múltiplo em Platão (3 edd.), Métodos Lógicos e Dialéticos, 3 voll. (5 edd.), Dicionário de Filosofia e Ciências Culturais, 4 voll. (5 edd.), ecc.
La sintesi filosofica del F. dos S. è ad un tempo tradizionale e personale. Utilizzando le più recenti scoperte intorno a Pitagora, fatte specialmente dall'Associazione internazionale dei Pitagorici sotto la direzione del dott. Sakellariou, dell'Università di Atene, tenta una conciliazione fra la pitagorica Mathesis Megiste e la sapienza infusa di s. Tommaso, como è presentata specialmente nel commentario del De hebdomadibus di Boezio. Essa si otterrebbe, secondo lo stesso Aquinate, per mezzo di una “cointuizione sapienziale” e di un certo “istinto divino”. In questo M. F. dos S. fa consistere la filosofia come scienza, o meglio super-scienza e sapienza dei principi in quanto principi. Essa è concreta, cioè ci fa conoscere la realtà stessa delle cose nelle loro intime radici e non solo problematica e probabile. Essa potrà gettare un ponte tra la metafisica e la religione cristiana rivelata, e potrebbe costituire un nuovo metodo di apologetica e catechesi specialmente adatto algi ambienti colti di oggi. Raccogliendo in un sintesi più profonda gli elementi di convergenza dei maggiori filosofi, da Plitagora, Platone, Aristotele e s. Tommaso, Scoto e Suárez, e interpretando com maggior oggettività, alla luce delle contingenze storiche del pensiero, i punti di divergenza, F. dos S. elabora un sistema al quale, in omaggio a Pitagora e per il metodo dialettico adottato, há dato il nome di Matese .Ad esso há dedicato una serie di opere, già pronte e in corso di pubblicazione. Comprenderà 15 voll., fra i quali: Sabedoria dos Princípios, Sabedoria da Unidade, Sabedoria do Ser e do Nada, Sabedoria das Tensões, Sabedoria das Leis Eternas, ecc.
Alla filosofia moderna e contemporanea F. dos S. rimprovera atteggiamenti negativi, come: soggettivismo e astrattismo, scetticismo, finzionismo, nichilismo, disperazionismo..., e ne denuncia i frutti nefasti nel libro dal titolo significativo Invasào Vertical dos Bárbaro (1967). Tuttavia nei grandi maestri della filosofia moderna scopre e mette a profitto verità parziali di non poco valore. Esemplo di ció è la sua interpetazione di Nietzsche, al quale, oltre la traduzione portoghese delle opere principali, ha dedicato varie monografie. Meritano di essere citati anche alcuni lavori letterari, como Curso de Oratória e Retórica (1953 12 edd.), Técnica do Discurso Moderno (5edd.), Práticas de Oratória (5 edd.), e vari volumi di divulgazione, como Convite à Filosofia, Convite à Psicologia Prática, Convite à Estética, tutti alla 6ª ed.
Apostolo indefeso e solitario della “sapienza” nel senso tradizionale antico, M. F. dos S. si è sforzato di formulare una filosofia che, rimanendo sempre aperta a nuovi problemi, fosse alto stesso tempo, di nome e di fatto, “perenne “ ed “ecumenica”.
Tradução
A síntese filosófica de F. dos S. e, ao mesmo tempo, tradicional e pessoal. Aproveitando as descobertas mais recentes sobre Pitágoras, realizadas especialmente pela Associação Internacional do Pitagóricos, sob a direção do Dr. Sakellariou, da Universidade de Atenas, ele procura uma conciliação entre a pitagórica Mathesis Megiste e a sabedoria infusa de ..S. Tomás, especialmente como é apresentada no comentário De Hebdomadibus de Boécio. Ela conseguir-se-ia, segundo o próprio Aquinate, por meio de uma co-intuição sapiencial e de certo instinto divino. Nisto, segundo M. F. dos S., consiste a filosofia como ciência ou melhor como super-ciência e sabedoria dos princípios. Ela é concreta porque nos faz conhecer a própria realidade das coisas em suas íntimas raízes, e não tem por objeto idéias a priori; deve ser positiva, quer dizer construtiva e não puramente crítica e negativa; ela é apodítica e não só problemática e provável. Ela poderá lançar uma ponte entre a metafísica e a religião cristã revelada e poderia constituir um novo método de apologética e de catequese especialmente dado aos ambientes culturais de hoje. Juntando numa síntese mais profunda os elementos de convergência dos maiores filósofos, desde Pitágoras, Platão, Aristóteles até Sto. Tomás, Scot, Suarez e integrando com maior objetividade, à luz das contingências históricas de cada pensamento, os pontos de divergência, F. dos S. elabora um sistema ao qual, em homenagem a Pitágoras, e por causa do método dialético empregado, deu o nome de Matese. Ao mesmo consagrou uma série de trabalhos já prontos e em via de publicação. Ela constará de uns 15 volumes, entre os quais salientamos os títulos seguintes: Sabedoria dos Princípios, Sabedoria da Unidade, Sabedoria do Ser e do Nada, Sabedoria das Tensões, Sabedoria das Leis Eternas, etc.
F. dos S. acusa a filosofia moderna e contemporânea de atitudes negativas, como subjetivismo, abstratismo, cepticismo, ficcionismo, nihilismo, desesperacionismo... Ele aponta os frutos deletérios de tudo isto num livro recente ao qual deu o título significativo de Invasão Vertical dos Bárbaros (1967). Entretanto nos grandes mestres da filosofia moderna descobre a aproveita verdades parciais de relevante valor. Ele nos deixou um exemplo disto na sua interpretação de Nietzsche, ao qual, além da tradução em português das obras principais, dedicou várias monografias. Merecem ser citados também alguns trabalhos literários, como : Curso de Oratória e Retórica (1953- 12 ed.), Técnica do Discurso Moderno (5 ed.), Práticas de Oratória (5 ed.), e vários volumes de divulgação, como Convite à Filosofia, Convite à Psicologia Prática, Convite à Estética, todos já n 6ª edição.
Apóstolo incansável e solitário da sabedoria no sentido tradicional e antigo, M. F. dos S. se esforçou por formular uma filosofia que, embora ficando sempre aberta a novos problemas, fosse ao mesmo tempo, de nome e de fato, “perenne” e “ecumênica”
Obras publicadas pela Livraria e Editora Logos Ltda.
Curso de Oratória e Retórica – 1ª ed. 1953, 12ª ed.
Técnica do Discurso Moderno – 1ª ed. 1953, 5 ª ed..
Lógica e Dialética - 1ª ed. 1954, 5ª ed.
Psicologia - 1ª ed. 1954, 5ª ed.
Teoria do Conhecimento - 1ª ed. 1954, 5ª ed.,
O Homem que Nasceu Póstumo – 1ª ed. 1954,3ª ed.
Curso de Integração Pessoal – 1ª ed. 1954, 5ª ed.
Análise Dialética do Marxismo – 1ª ed.1954.
Filosofia e Cosmovisão – 1ª ed. 1955, 6ª ed.
Ontologia e Cosmologia - 1ª ed. 1955, 5ª ed.
Tratado de Simbólica - 1ª ed. 1955, 5ª ed.
Filosofia da Crise - 1ª ed. 1955, 5ª ed.
O Homem perante o Infinito (Teologia) - 1ª ed. 1955, 5ª ed.
Aristóteles e as Mutações – 1ª ed.1955, 3ª ed.
Noologia Geral - 1ª ed. 1956, 4ª ed.
Filosofia Concreta (3 volumes) - 1ª ed. 1956, 4ª ed.
Sociologia Fundamental e Ética Fundamental – 1ª ed. 1957, 3ª ed.
Filosofias da Afirmação e da Negação – 1ª ed. 1957, 2ª ed.
Práticas de Oratória – 1ª ed. 1957, 5ª ed.
O Um e o Múltiplo em Platão – 1ª ed. 1958, 3ª ed.
Métodos Lógicos e Dialéticos ( 3 volumes) – 1ª ed. 1959, 5ª ed.
Pitágoras e o Tema do Número - 1ª ed. 1960, 2ª ed.
Páginas Várias – 1ª ed. 1960, 12ª ed.
Filosofia Concreta dos Valores – 1ª ed. 1960, 3ª ed.
Convite à Estética – 1ª ed. 1961, 5ª ed.
Convite à Psicologia Prática – 1ª ed. 1961, 5ª ed.
Convite à Filosofia – 1ª ed. 1961, 5ª ed.
Tratado de Economia ( 2 volumes) – 1ª ed. 1962, 2ª ed.
Filosofia e História da Cultura ( 3 volumes) – 1ª ed. 1962, 2ª ed.
Análise de Temas Sociais ( 3 volumes) – 1ª ed. 1962, 2ª ed.
O Problema Social – 1ª ed. 1962, 2ª ed.
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